Paris é logo ali!
No clima das Olimpíadas-2024, o Replay #28 chega até você trazendo o que de melhor rolou nas produções do Laboratório de Estudos em Mídia e Esporte (LEME). Vem com a gente! 🤙
Nesta vigésima oitava edição nós falamos das barras colombianas, dos diferentes modos de sentir o futebol e, ainda, apresentamos o lançamento da obra de uma das grandes pesquisadoras do futebol no Brasil, Simoni Guedes. O podcast Passes e Impasses segue com novos episódios, contando a história da FIFA e como se deu a Copa do Mundo de 1966. Também trazemos a trajetória da nossa Craque do Jogo, Ana Moser, participações dos bolsistas do LEME na mídia, um resumo de como foi o seminário Nos Gramados da Democracia e um apanhado das classificações para os Jogos Olímpicos de Paris 2024, no nosso novo quadro chamado Painel Olímpico.
Ronaldo Helal (coordenador do LEME)
⏱️ Jogo rápido
✍️ Colômbia e a experiência do bairrismo social
Violência dentro e fora dos estádios, demonstração de diversos tipos de preconceito e até mesmo mortes têm composto o plano de fundo e, muitas vezes, o cenário central do futebol brasileiro nos últimos anos. A agressão sem precedentes já invadiu as linhas do campo e extrapolou qualquer noção do que representa o ato de torcer. Medidas punitivas têm sido, na maior parte dos casos, o remédio mais comum, o que, no entanto, acaba tendo efeito placebo no combate à violência no futebol no Brasil. No texto “Colômbia e a experiência do bairrismo social”, o pesquisador Nicolás Cabrera identifica um outro caminho, baseado na trajetória do futebol colombiano e sua relação histórica com as barras: a prática do bairrismo social.
✍️ Futebol, você bem me quer ou mal me quer?
De bons e maus momentos o futebol é feito. Desde a primeira memória entrando em um estádio pela primeira vez, gritando o gol do seu time de coração e da alegria por poder comemorá-lo, até o choro de decepção por conta de uma derrota amarga, da dor lancinante no peito por um rebaixamento e da raiva por um pênalti mal marcado contra o seu time… Em qualquer um desses cenários, é provável que você compartilhe seus sentimentos, bons ou ruins, com outras pessoas. Ninguém torce sozinho. Mas, mesmo sabendo de todo o sofrimento que iremos sentir, por que motivo nós ainda torcemos? Em seu texto intitulado “Futebol, você bem me quer ou mal me quer?”, a bolsista do LEME, Anabella Léccas, lembra-nos que há uma trilha imprevisivelmente boa no ato de torcer.
➕ Confira também outros textos publicados no nosso blog
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O blog Comunicação, Esporte e Cultura reúne publicações dos nossos mais de 30 colaboradores de todo o país. Neste momento, estamos trabalhando em um novo site, a fim de seguirmos melhorando e trazendo o melhor conteúdo possível sobre os esportes para você! Mas, enquanto isso, continue acessando os nossos textos no mesmo local de sempre, ok? Boa leitura!
🎙️ Passes e Impasses
O episódio 60 do Passes teve como tema “A história institucional da FIFA”. Discutimos a histórica rivalidade entre FIFA e COI e seus efeitos atualmente, os processos de capitalização do futebol, a partir de megaeventos e dos mega contratos, e ainda o aumento no número de participantes nas próximas Copas do Mundo. Com apresentação de Júlio César Barcellos e Alice Lichotti, conversamos com Sérgio Settani, doutor em Educação Física pela Universidade de São Paulo e um dos editores do site Ludopédio.
“Copa do Mundo de 1966: Deus Salve a Rainha” foi o assunto do Passes e Impasses #61. O episódio discutiu o projeto sociopolítico ligado àquela Copa, em meio à recém-instaurada ditadura militar no Brasil, assim como os motivos para o fraco desempenho da seleção brasileira naquele ano. Para isso, nós trouxemos o professor de Antropologia do Instituto de Ciências e Letras da Universidade Federal de Alfenas e doutor em História Social da Cultura pela Universidade Federal de Minas Gerais, Leonardo Turchi.
O podcast Passes e Impasses é uma produção do LEME e conta com diversos assuntos ligados ao universo do esporte. Confira a nossa playlist completa ou acesse pelo nosso canal no Youtube.
🗺️ Painel Olímpico
Os Jogos Olímpicos de Paris 2024 começam apenas em 26 de julho, mas os atletas do Time Brasil já estão na corrida por suas classificações no índice olímpico. Para você que quer saber mais sobre quem já se classificou e quem ainda briga por vaga, o LEME te conta o principal do que rolou nesses últimos meses. Chega mais! 😜
💪 No atletismo, Alison dos Santos, o “Piu”, garantiu dois índices olímpicos em um intervalo de apenas cinco dias. O primeiro veio na prova de 400m rasos, em 16 de julho, e o segundo na de 400m com barreiras, no dia 21. Já Darlan Romani arremessou o peso à 21,58m no Troféu Brasil de Atletismo para assegurar a sua participação nos Jogos Olímpicos de Paris. Ah, e de quebra o “Senhor Incrível” ainda garantiu vaga no Mundial de Budapeste, mês que vem.
🚣♂️ Já na canoagem, Isaquias Queiroz entrou na zona de classificação após os resultados de seus adversários na prova do c2-500m, durante o Campeonato Mundial de Canoagem, favorecerem o atual medalhista olímpico. Antes disso, Isaquias havia ficado sem vaga na etapa individual, após terminar apenas em sexto lugar na final do c1-1000m e não avançar para a final do c2-500m.
🏄 No surfe, Filipe Toledo pegou uma onda que beirou a perfeição e o levou direto à Paris-2024. Com um gigantesco 9.93, Filipinho obteve a segunda maior somatória da temporada na modalidade (9.93 + 8.83= 18.76) em J-Bay, na Liga Mundial de Surfe. Com a moral lá no alto, Tatiana Weston-Webb foi a primeira representante do surfe brasileiro a ser confirmada em Paris-2024. Foi ainda em abril deste ano, quando chegou até a quinta colocação no ranking mundial. Vale lembrar que as provas do surfe nas Olimpíadas de Paris serão disputadas em Teahup’o, na Polinésia Francesa.
🏓 O tênis de mesa também vem com tudo sob a liderança do craque Hugo Calderano. Após conquistar o ouro de forma invicta no Pan-Americano de Tênis de Mesa, a equipe formada por Hugo se classificou para as Olimpíadas do ano que vem, no masculino. Só que o time feminino também mandou muito ao conseguir ser medalhista no Pan. Veio a prata e junto dela a vaga para Paris. Brabo!
🎯 Marcus D’Almeida, grande nome do tiro com arco do Brasil, subiu no pódio e recebeu o bronze durante o Mundial de Tiro com Arco. A mira foi certeira, pois garantiu ao arqueiro a vaga até Paris. No alvo!
🏐 O vôlei feminino também representou bem demais! As meninas do Brasil terminaram em segundo lugar no Pré-Olímpico de Tóquio. Foram seis jogos e somente uma derrota, um arremate certeiro rumo à França.
➕ O Time Brasil ainda conta com mais classificações no surfe, na vela, no tiro esportivo, nos saltos ornamentais, no rúgbi, na natação, no hipismo, na ginástica rítmica, na ginástica artística, no ciclismo BMX, na canoagem slalom e, claro, no futebol.
🏆 Craque do jogo
A craque do jogo desta edição é Ana Moser, uma das maiores atletas da história da seleção feminina de vôlei e ex-ministra do Esporte do atual Governo. Vem conhecer um pouco mais da história dessa gigante. 🏐👇
Nascida em Blumenau, Santa Catarina, Ana Beatriz Moser começou a jogar vôlei quando tinha 7 anos. Transferiu-se para São Paulo aos 16 anos, depois de sua primeira convocação para a seleção infanto-juvenil. Em 1987, quando ainda jogava pelo Pinheiros, foi convocada para o time principal. A ex-atleta disputou as Olimpíadas de Seul (1988), Barcelona (1992) e Atlanta (1996), sendo medalhista olímpica de bronze em sua última participação. A ponteira teve 14 anos de carreira, passando por outros clubes além do Pinheiros, como o Sadia Esporte Clube (encerrado em 1991), São Caetano, Sorocaba (encerrado em 1999) e o BCN Osasco. Além de ser medalhista olímpica, ela também foi dez vezes campeã paulista de vôlei, quatro vezes campeã nacional e cinco vezes campeã sul-americana.
Gigante dentro e fora das quadras, Ana fundou o Instituto Esporte e Educação em março de 2001. O projeto atende diretamente a crianças e adolescentes pela Educação Física e pelo esporte, contribuindo no desenvolvimento de comunidades de baixa renda. Em dezembro do ano passado, foi nomeada pelo atual presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva como ministra dos Esportes, sendo a primeira mulher a comandar o ministério e a primeira ministra assumidamente lésbica no país. Nas últimas semanas, Ana Moser foi exonerada do cargo e sucedida pelo deputado federal André Fufuca.
📹 LEME na mídia
Durante a Copa do Mundo de Futebol Feminino de 2023, a professora e pesquisadora do Laboratório de Estudos em Mídia e Esporte (LEME) Leda Maria da Costa participou de uma entrevista produzida pela TV Uerj em seu canal no YouTube. Junto com a jornalista Cláudia Silva e a supervisora geral de Seleções Femininas da CBF, Ana Lorena Marche, a professora relaciona o espaço conquistado pela categoria com a história de luta e resistência das mulheres ao longo da história:
“É interessante pensar que a história das mulheres no futebol é um diálogo da história das mulheres na sociedade, é entender isso como um sintoma. Um sintoma que vem desse espaço temporal de descuido, de desleixo, de proibição, o qual as mulheres tiveram que enfrentar durante anos”.
A estrutura do futebol feminino melhorou em comparação às últimas décadas. Muitos clubes tradicionais no Brasil possuem uma equipe feminina e disputam campeonatos continentais, nacionais e estaduais, nos dois últimos casos, tanto na categoria profissional como na de base, a sub-20. Diante do cenário favorável para a evolução do esporte nesta categoria, Leda faz questão de reiterar a importância de uma ótima estrutura para qualificar ainda mais as atletas:
“Agora, pra você chegar a ter as condições de treino que exige um esporte de alto rendimento, você precisa de uma estrutura muito boa, não vai nascer do nada. Então não é jogando na rua que as mulheres vão disputar uma Copa do Mundo”.
Em agosto, Ronaldo Helal, sociólogo e coordenador do LEME, participou de uma entrevista para a Rádio Francesa Internacional Brasil (RFI), em vídeo divulgado no YouTube. Faltando menos de um ano para os Jogos Olímpicos de Paris, Helal fala sobre como viu a organização do Brasil para as Olimpíadas do Rio de Janeiro em 2016:
“Eu acho que nas Olimpíadas em si, toda a expectativa antes, quando o Brasil conquistou o direito de sediar, foi tudo muito bacana. Agora, o que deixou depois é que não foi legal. O Parque Olímpico... essas coisas ficaram subutilizadas ou não utilizadas. Quando o Brasil conquistou esse direito, a gente estava numa fase, na minha opinião, boa em termos políticos. Quando foi sediar as Olimpíadas já foi uma fase muito confusa e turbulenta, com o impeachment da presidente Dilma.”
Por ter morado na França, durante seu estágio sênior, Ronaldo também garante que os franceses, sobretudo os parisienses, ficarão entusiasmados com os Jogos Olímpicos e fala sobre suas expectativas:
“Paris é uma cidade fantástica, é a cidade mais bonita que vi na minha vida. Eu acho que vai fazer Jogos Olímpicos de excelência, não tenho a menor dúvida. Os parisienses vão ficar alucinados com isso.”
➕ Dê uma olhada também em outras participações da galera do LEME por aí:
Por que a interdição do estádio do Vasco gera debate sobre elitismo | Nexo Jornal
Violência doméstica na Premier League: o que está por trás dos crimes contra mulheres no futebol inglês | Premiere League Brasil
🥅 Na cara do gol
Este ano, a editora Ludopédio traz o lançamento de “O futebol brasileiro: instituição zero”, uma versão em livro da tese escrita pela saudosa pesquisadora Simoni Guedes, pioneira nos estudos sobre o futebol atrelado ao campo das Ciências Sociais no Brasil.
Simoni observou como ninguém a relação que o esporte tem com as diversas formas de sociabilidade nas cidades. Todo o seu trabalho resultou em uma dissertação de mesmo nome, que chegou a ser acolhida pela biblioteca do Museu Nacional alguns anos antes do incêndio que queimou esse e mais outros diversos vestígios históricos da humanidade.
O livro nasce de uma parceria entre diferentes pesquisadores da interface mídia e esporte, em especial da pesquisadora do LEME, Leda Maria da Costa, da editora Ludopédio e da filha de Simoni, Mylene Guedes.
O livro está sendo vendido pelo site do Ludopédio, corre lá e garanta o seu! 🏃💨
Ah, nós também temos um belo texto de autoria de Leda Maria da Costa sobre a obra de Simoni Guedes. Nele, Leda conta sobre as suas memórias com Simoni e os bastidores da parceria que rendeu a publicação do livro este ano. Vale conferir no nosso blog!
🔥 Nos Gramados da Democracia
Para finalizar esta edição do Boletim Replay, nós temos que falar sobre o seminário Nos Gramados da Democracia, organizado pelo LEME. O evento aconteceu nos dias 22, 23 e 24 de agosto e trouxe nomes de peso para debater a relação entre a democracia e o futebol no Brasil. O seminário contou com a presença de mais de 50 pesquisadores, divididos em três grupos de trabalho.
No primeiro dia, o GT1 “Esporte, Cidade e Identidade” esteve sob a coordenação de Fausto Amaro (FCS – UERJ) e de Édison Gastaldo (CEP/Forte Duque de Caxias). O GT2 “Mídia, Esporte e Representação” esteve sob responsabilidade de Camila Augusta (Facha/UERJ) e Ana Vimieiro (UFMG). Já no GT3 “Estádios, Arenas e os Modos de torcer”, o comando ficou com Nicolás Cabrera (UERJ) e Sérgio Montero Souto (FCS/UERJ).
À noite, a repórter Sônia Bridi palestrou na aula magna da Faculdade de Comunicação Social (FCS) da Uerj. Entre vários assuntos, Bridi comentou sobre o seu trabalho como jornalista da área ambiental e ainda deu várias dicas para os graduandos sobre como se destacar no jornalismo.
No dia seguinte, a mesa “Futebol, política e memória” contou com a presença dos pesquisadores Lívia Magalhães (UFF), Adriano de Freixo (UFF), Renato Coutinho (UFF) e mediação de Álvaro do Cabo (UERJ).
Durante a sua participação na mesa “Copa do Mundo, imaginários e jornalismo”, o jornalista Marcelo Barreto contou suas experiências ainda enquanto torcedor e, posteriormente, como jornalista na cobertura de Copas do Mundo. A mesa ainda contou com a presença do professor Filipe Mostaro, sob a mediação de Ronaldo Helal.
Na quinta, o GT 2 ficou sob a coordenação de Ana Vimieiro, enquanto que o GT3 foi comandado pelo pesquisador do LEME Irlan Simões. De tarde, também sob a mediação de Irlan, a mesa “Movimentos Sociais de Torcedores” teve a presença de Rosana da Câmara (UFF), Nicolás Cabrera (UERJ/CONICET) e Luiz Cláudio do Carmo, o Claudinho da Anatorg.
Para além de tantas discussões muito boas, o último dia também foi marcado pela palestra de encerramento, que trouxe a ex-jogadora de vôlei, Fabi Alvim, e o professor Ricardo Freitas. De infâncias muito parecidas na Zona Norte do Rio de Janeiro, ambos compartilharam suas vivências, trazendo à discussão as dificuldades de ser homossexual no passado e ainda hoje, além da importância de se debater esse assunto para o combate ao preconceito.
Replay é o boletim do Laboratório de Estudos em Mídia e Esporte (LEME). A cada dois meses fazemos uma seleção do melhor conteúdo original que produzimos e enviamos pra você. Assim, se você perdeu alguma coisa ou quer reler, rever ou reescutar algum material, é só clicar nos links que nós disponibilizamos!





